segunda-feira, fevereiro 09, 2015

Gregg Alexander - do New Radicals ao Oscar


De tempos em tempos eu procurava no Google alguma notícia de New Radicals. Uma banda que ficou famosa em 1999 e nunca mais deu as caras. Sim, eu já sabia que ela não voltaria mais, o próprio vocalista, Gregg Alexander, disse que nunca mais a banda faria um novo disco. Ok, mas eu continuei procurando notícias, dessa vez pelo Gregg, porque eu não podia acreditar que aquela fonte de talento e criatividade se esgotaria assim, sem mais nem menos.

Procurava sempre em vão. Nunca saía nada novo, a não ser uma notinha aqui, outra ali, de canções que ele vinha fazendo, mas não era ele quem cantava, pra minha tristeza, já que o seu jeito peculiar de cantar e seus inconfundíveis agudos eram fundamentais pra genializar suas canções.

Cê num lembra quem foi New Radicals né? Então deixa eu começar do começo: Gregg Alexander.

Nos anos 80, ele saiu de Michingan aos 16 anos, onde morava com a família conservadora de testemunhas de Jeová, pra tentar a sorte em Los Angeles. Lançou dois discos com duas gravadoras diferentes que foram um fracasso, sem repercussão alguma. No comecinho dos anos 90 quem tava abalando era o Pearl Jam e o Nirvana no auge do grunge que se estabelecia no cenário bizz.

Mas lá no final da década ele arriscou sua terceira tentativa. Um projeto de banda sem integrantes fixos exceto ele, como compositor e frontman. O New Radicals.

Aí a canção “You Get What You Give” simplesmente virou o hit daquele ano, onde Gregg dizia que “a música nos salvará e que, no fim das contas, nós colhemos o que plantamos”. O clipe do rolezinho no shopping não saía da MTV e acabou se tornando um som-chiclete também no Brasil.


Fashion shoots with Beck and Hanson, Courtney Love, and Marilyn Manson, you're all fakes run to your mansions
Come around - we'll kick your ass, yeah

Graças ao hit, o CD da banda foi parar lá em casa. Eu, com uns 13 anos, mais consumia música que qualquer outra coisa. Adotei o CD pra vida e acabei me apaixonando por aquele álbum, onde todas as músicas eram grandes hits pra mim.

As letras do Gregg Alexander são assim, bastante inspiradoras - mas também bem loucas, o que dá um certo plus.

Agora eu estou chorando como se estivesse numa igreja na segunda-feira
Rezando para estes sentimentos irem embora
Então, me faça um favor, baby
Deixe de lado seu novo deus
E me ame como se hoje fosse domingo outra vez

Letra de "Crying Like A Church On Monday"

Algum dia saberemos
Se o amor pode mover uma montanha
Algum dia saberemos
porque o céu é azul
Algum dia saberemos
Porque eu não fui destinado a você

Letra de "Someday We'll Know"

E o conjunto da obra - composição, melodia, arranjos, voz e ritmo - torna tudo ainda mais digno. Essa abaixo, deveria ser meu despertador diário - para dançar, cantar e ser feliz. Virou meu hit particular atemporal.

Moooooooooooooooooooooooother

Depois disso, Gregg sumiu dos holofotes. O motivo? Ele tava cansado de ser famoso. A ideia de ter que passar a vida viajando pra diversas cidades e fazer shows era um tormento pra ele. E então a banda simplesmente acabou e ficou sendo conhecida injustamente como banda de um hit só.

Mas o que ninguém ficou sabendo é que Gregg não tinha desistido da música e continuou escrevendo canções pra figurões da indústria musical, como Rod Stewart, Tina Turner, Enrique Iglesias.

Quem se lembra de “The Game Of Love”? Outro grude musical que trouxe o guitarrista Carlos Santana de volta às paradas e de quebra com um Grammy de melhor Colaboração Pop. Sim, composição do Gregg Alexander.

Dá pra ouvir na voz de Gregg aqui.

Mas fazem uns anos que nenhum outro hit composto por Gregg emplacou. Isso porque ele acabou seguindo outros caminhos alheios à música, mas não menos importantes, como se dedicar a projetos pela redução da pobreza e por água potável no mundo.

Seria um final quase feliz pra mim, e aí deixei de caçar mais coisas sobre Gregg no Google. Só que, pra minha surpresa, a notícia veio até mim.

Aconteceu super por acaso, quando eu resolvi baixar e assistir o filme Mesmo Se Nada Dar Certo (Begin Again), um filme tipo Once, recheado de romance e baladinhas. E pô, ainda vinha com Mark Ruffalo junto.

Enrolei pra assistir o filme, mesmo sabendo das boas críticas, tava esperando um momento “não-tenho-nada-pra-fazer” pra poder vê-lo. E já nos créditos iniciais fui surpreendida e já me apaixonando pelo filme sem ainda ter visto. “Music by Gregg Alexander”

Quer dizer que a música-tema do filme que tava bombando na voz de Adam Levine, vocalista do Maroon 5, era composta pelo Gregg? Eu já tinha escutado o som e achei bonitinha, mas descobrir essa informação nova pra mim, mudava todo o significado da canção.


Voltei pro Google. Procurei uma possível gravação dessa música na voz do Gregg e achei o cara de 44 anos, que eu quase não encontrava fotos dele espalhadas na Web (só ele novinho com um chapéu na cara que mal podia ver suas feições) com boné, mais gordinho e com o rosto mais envelhecido (o tempo passou, né gente), cantando uma música nova com aquela voz de garoto digamos que agora “remasterizada”. “Lost Stars” agora ganhou um novo sentido, transformada na voz de Gregg, virou amor à segunda ouvida.


Tudo já parecia perfeito, mas aí veio o clímax. “Lost Stars” está concorrendo ao Oscar de Melhor Canção Original de 2015! Levando ou não, essa é um vitória de Gregg Alexander, que nunca procurou o estrelato, mas sim o reconhecimento de seu trabalho. E é uma vitória pro seu grupo relativamente pequeno de fãs e admiradores. 

O projeto, que foi um convite do diretor John Carney por indicação de Bono Vox - fez com que Gregg se animasse com a ideia de produzir canções pra filmes, uma forma de continuar fazendo o que gosta sem passar pelas desvantagens da fama, tudo correndo só nos bastidores. “Estou de volta como alguém que quer escrever a melhor música sempre e encontrar os projetos certos pra levar essas canções pro mundo”.

Final feliz de fã como esse eu nunca tive antes (talvez já, mas isso é assunto pra outros posts).

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