domingo, abril 12, 2015

Livros que eu perdi


ao longo da minha pequena nobre vida perdi vários livros. livros que se perderam nas mãos de pessoas que também passaram por mim e nunca mais as vi. é como se cada uma delas levasse das minhas mãos pequenas histórias diferentes que eram como se fossem minhas e agora me escapam. histórias que eu nem me recordo mais.

um dos primeiros a ser esquecido nas mãos de alguém foi “100 Anos de Solidão”, o clássico de García Marquez. 100 anos não são nada quando se sabe que nem passando um século esse livro será devolvido.

outro que lembro menos ainda é o “Memórias do Casarão Branco”, de Edith Pires, sobre a Pinacoteca Benedito Calixto, em Santos. esse passou em mais de quatro mãos e eu não sei se ele se encontra em Santos ou no Rio de Janeiro.

o terceiro foi o “À Procura da Felicidade”, aquele mesmo, que serviu de inspiração para o filme de mesmo nome, com o Will Smith. alguém à procura da sua o levou e, bem, eu espero que tenha encontrado…

embora eu tenha perdido todos os livros que li e não li, isso não é uma indireta para que essas pessoas me devolvam. não os quero de volta. não vou lê-los.

gosto de lembrar da forma como os perdi e, principalmente, da forma como não foi devolvido. esquecido numa gaveta, tal como esqueceram de sua dona, talvez, só talvez. 

gosto de imaginar como se tornaram aquelas histórias sob tais leitores. como se formou cada episódio, cada personagem, cada apreensão que um dia já foi capturada sobre mim. será que leram como eu li? como eu pretendi ler e chegar ao fim? chegaram, pois, ao fim da história?

talvez eu esteja lá pra essas pessoas, guardada no fundo de uma gaveta, como uma recordação. não triste, mas singela. não especial, mas suave e serena.

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