sábado, maio 02, 2015

As valsas da vida



Eu não fui criada como uma princesa. Mas eu mesma me criei assim. Ouvia musiquinha clássica, lia contos de fada, colocava os vestidinhos pomposos nas bonecas, sonhava alto. Até hoje sonho em conhecer castelos. De verdadinha. Escrevi uma história de princesa. Escrevi mesmo. Essa história só podia terminar mal, já que, embutida ali estava a minha doce ingenuidade de acreditar haver um príncipe na vida real. Não bem acreditar nessa patética sentença, mas encontrar lá no fundinho do peito aquela crença de que existe alguém no mundo que vai fazer parte da minha vidinha, assim, por muito tempo, e de repente, até o fim dela.

Então #somostodasprincesas? Não sei, só sei que não tô mais procurando um homem perfeito (é, eu procurava), porque eu não sou perfeita (que grande descoberta). Porque, pasme, quase senhoras como eu dizem não acreditar num príncipe, mas ainda o procuram. Jovens e maduras mulheres buscam o rosto perfeito, o corpo sem pança, a cabeça com muito cabelo, o tórax liso, os dentes brancos e alinhados, o português correto, a conta bancária bem preenchida, o não-fumante, o apaixonado, o não-meloso, o inteligente que sabe-de-tudo-um-pouco, o cara de atitude que resolve as paradas, o bom de cama, o homem que entende a mulher e sabe o que ela quer, o homem fiel. De preferência que torça para o mesmo time. Que tenha um trabalho ok, não tenha que viajar. Que tenha amigos legais mas não fique saindo toda hora com eles. Que curta o mesmo tipo de música. Ah, e nos dias de hoje, que saiba cozinhar. Que não tenha um temperamento forte. Mas que não seja tranquilão demais. Que seja tudo no ponto certo. Porque, quanto menos entrave, melhor. Pra vida ficar um pouco mais fácil.

Mas dessa lista aí eu quase não assinalo mais a maioria dos requisitos. Porque ninguém disse que ia ser fácil mesmo. Tem que ter só três coisinhas que eu descobri: caráter + afinidade + química. Pronto. Se o cara é gente boa, se dá pra conversar sem se desentender tanto (o que inclui ter planos de vida afins) e ainda rolar atração física, tá tudo certo. Porque nesses três itens todo o resto se embute. O que faltar, se ajeita. Porque né, o que faltar, a princesa aqui que não é nenhuma princesa (inúmeros quesitos me faltariam se caras fizessem listinhas), também vai ter que fazer por merecer na relação, que não precisa ser um conto de fadas, mas VAI QUE rola o tal final feliz. Final feliz esse que vem com um monte de perrengue e chateação, porque plebeia e plebeu (nem príncipe nem sapo, porque eu também não sou obrigada) têm que trabalhar, oras, inclusive na relação. Relação esta que é feita de duas pessoas que precisam se esforçar para dar certo. De forma igual. Sem fantasia. Simples assim.

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