domingo, maio 24, 2015

Como é a sua relação com a internet?


Você ama a internet. Eu amo a internet. Muitos dos nossos amigos também amam. A gente entra no e-mail pra ver se tem alguma coisa importante, entra no Facebook pra ver se tem alguma notificação ou post interessante, entra nos sites e blogs preferidos, assiste alguns videozinhos no Youtube, lê uns tweets e não deixa de tweetar também, nem que seja pra dar um olar. A gente também aproveita pra dar aquela googlada básica naquela dúvida que surgiu durante o dia e que, claro, senhor Google não vai hesitar em responder. E a gente vai conseguir assim dormir tranquila(o).

Mas sua relação com a Internet é saudável ou é uma relação passional? Você sabe usar a internet? Ué, tem o jeito certo ou errado de usar?

Olha, eu não tenho MBA em internet aplicada, mas eu acho que aprendi durante esses bons anos de convivência como ter uma relação bonita e duradoura sem tanto apego. Mas é um aprendizado constante, ainda mais no meu caso, que trabalho com ela. E ter um relacionamento no trabalho é fogo, cês me entendem, né?

Eu não vou fazer uma lista de mandamentos do usuário, mas queria relatar somente duas experiências muito bacanas com duas ferramentas que eu uso na Internet e definitivamente me ajudaram a ter uma visão mais prática da minha relação com a Internet. São dois sites que me ajudaram a, de certa forma, não me dispersar. Pois eis aí, amigos, o caminho da perdição na Internet: a dispersão.

A Internet nada mais é do que um universo de informações espalhadas sem critério algum. Você mergulha num caminho sem volta. Não há mapa, não há direção. A partir do momento que você clica num link aparentemente despretensioso, você pode parar num site coreano repleto de coisinhas fofas ou num site australiano dando dicas de como administrar seu dinheiro. E você simplesmente não consegue sair dali.

O que você tem que fazer é aquela pergunta clássica do conceito minimalista: "eu realmente preciso estar aqui?", "esse conhecimento vai mudar minha vida?" "eu poderia estar usando meu tempo para algo mais útil?"

De fato, conhecimento parece nunca ser demais. Mas você já se questionou alguma vez que você hoje tem a oportunidade de saber sobre tudo, mas o que realmente é importante que você saiba/veja/conheça?

A pergunta principal talvez seja: quais são as suas prioridades? Você poderia estar se aprimorando num novo idioma, num assunto que tem a ver com a sua carreira profissional, ou com o seu sonho que é viajar para determinado país e você estar montando seu roteiro e se programando financeiramente e estipulando um prazo para realizar esse projeto, enfim, algo que realmente fará diferença na sua vida. Fora da Internet.

E é aí que entram esses dois sites aparentemente simples e que você até deve conhecer. O primeiro é o Feedly, que para mim que sou jornalista me ajuda bastante, principalmente depois que o Google Reader morreu.

Para quem ainda não foi apresentado, ele é o melhor reader que sobreviveu, ou seja, você favorita os sites que você gosta de acompanhar (pode filtrar por categorias como notícias, moda, humor) e ver o que tem de novo todo dia. Ele é um ótimo otimizador de tempo. Você não tem que ficar clicando nos seus sites todo santo dia pra ver se tem algo de novo, quando você descobre no Feedly em dois segundos.

Daí você achou algo super legal que quer muito ler mas aquele não é um bom momento, até porque é textão. Nessa hora que vem o Pocket pra te salvar. Você clica no botão Add-on (estilo Pin do Pinterest) pra arquivar no site e ler depois. No fim do dia você não vai entrar em qualquer lugar. Você vai entrar no Pocket pra ler o que realmente quer/precisa.

Eu não uso mais ferramentas (eu sou minimalista, lembra) e quanto mais aplicativos e sites pra te ajudar a organizar - tem uns zilhões por aí - mais eu acho que vira uma bagunça, um "caos organizador/planejador".

O que queremos hoje da internet

Hoje em dia eu não vivo sem esses dois. São dois agregadores lindos que ajudam muito na curadoria de conteúdo e filtragem do que eu preciso. E a tendência hoje é sem dúvida a seleção de informação.

Para quem trabalha com conteúdo, a premissa básica da vez não é só preparar um bom conteúdo. É preparar conteúdo novo. Eis o desafio: falar sobre algo na internet que ainda ninguém falou - e que tenha procura.

Um site onde eu enxergo uma proposta bem bacana que parece ter visão de futuro é o Medium. Mas o desafio dele é enorme. Até porque à primeira vista ele não agrada ninguém. É um outro agregador que seleciona conteúdo. Ele faz a curadoria do que realmente é bom e disponibiliza, sem muitas ferramentas acessórias. Isso mesmo. É textão e só. Tem uma imagem ali outra aqui, mas não vive disso. O foco é realmente o conteúdo exclusivo e relevante. Mas eu acho que ainda está engatinhando. É difícil segurar uma plataforma que não vive de audiência nem de merchã. Se vive, eu não sei como funciona. Mas se o foco são pessoas que já não querem mais do mesmo, que é a pura informação, mas sim um conteúdo mais específico e aprofundado, tem alguma chance de dar certo. Porque acredito que essa será a vontade, daqui a alguns anos (na verdade a necessidade já existe), da maioria dos usuários que estão na Internet para ler ou aprender coisas novas. Eles vão precisar de foco. 

Mas como eu disse, não basta o texto ser bom. Não vai adiantar nem ele ser fodasticamente bom enquanto ele for repetitivo. Enquanto tiver outro texto tão fodasticamente bom falando sobre a mesma coisa. O conteúdo do futuro vai trazer aprendizado, vai precisar ser um pouco enciclopédico, vai precisar ter uma vibe acadêmica. E ainda sim ser mais simples, mais didático.

E essa é apenas uma perspectiva sobre conteúdo. A relação que temos com o consumo de música, vídeos, também tende a mudar, como já mudou. É só se dar conta de que paramos de baixar música pra viver de Spotify (o que não é o meu caso), quando a maioria dos sites pra "baixar MP3" simplesmente sumiram.

Bom, essas são as minhas suspeitas. Já parou pra pensar no que você espera ou vai esperar da Internet daqui alguns anos? Talvez esse assunto renda mais alguns posts.

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