quarta-feira, junho 24, 2015

¯\_(ツ)_/¯


Eu tinha um problema que eu não sabia que eu tinha. Apego. O mais irônico é que eu sempre curti esses posts todos sobre minimalismo que prega a lei do desapego, achando que tava desapegando legal, mas na real, só do material, mesmo.

E sobre os namorados, também tava sussa. Qualquer término, ok, sempre desapeguei bem, no geral. Mas não tinha reparado que tinha sobrado um apeguinho aí na minha vida que nunca soube muito bem como lidar. O apego das pessoas e amizades em geral.


Quando eu me conecto intelectualmente a uma pessoa (e também emocionalmente, claro) eu fico ligada nela. Chamo pra sair, mando whats, viro best. Tudo normal né? Juro que não sou psico. Não stalkeio, não invejo, nada, nada. Mas tenho ciúme. Quando a pessoa se afasta, se desinteressa do meu papo, não me chama pros rolê, etc. Há um tempinho consegui me livrar desse sentimento ruim de posse e dessa sensação de "fui largada". Sintoma de maturidade também. Porque eu descobri que o pior desse tipo de apego não é isso não.

Quando você é best de alguém é porque esse alguém não só tem afinidades como também é uma pecinha importante da sua vida, pessoa essa que você passa a admirar. Ela conhece alguns dos teus segredos, ela te ensina coisas. Você passa a ser um pouquinho dela também, porque vocês partilharam conhecimentos, partilharam experiências. Aquela pessoa que foi na tua casa, conheceu teu pai, tua mãe, ficou amiga dos teus amigos, acaba sendo como um membro da família, principalmente quando essa conexão é grande, do tipo ver a pessoa toda a semana pelo menos. E é aí que chego ao ponto. Quando existe essa troca, existe também uma certa forma de educação. É, como se você tivesse sido educada por essa pessoa em algum momento da sua vida, e vice e versa. 

Agora pensa. Você não vê mais a pessoa toda a semana, às vezes nem todo o mês. Não trocam mensagens. Você não sabe na-da do que se passa na vida da pessoa. Ela não te dá "notificações" about. E não houve nenhuma briga para tal mudança. Apenas um certo distanciamento que é natural. Se deve ao fato dessas pessoas estarem vivendo coisas diferentes. Uma mudou de emprego, a outra começou a estudar numa faculdade. Um exemplo. E essas circunstâncias externas simplesmente afastam, mas mais que isso, tiram a sintonia dessas duas pessoas que outrora era tão grande. Uma só pensa e fala em academia e comida saudável. A outra só pensa artes e exposições. Outro exemplo. Na hora da conversa, o papo não flui.

Há culpado nessa história? não, não há. Cada um está pensando na sua própria vida. Normal. Mas eu sempre me senti a mais preocupada. Sempre contei os meus problemas, sempre desabafei, sempre perguntei "hey, está tudo bem?" e do outro lado nada. Cansa. Mas também é chato resmungar. É cansativo o mimimi. Essa troca precisa ser algo espontâneo. Se é forçado, é porque já não tem algo mais tão verdadeiro ali. E esse é o meu problema. Continuar esperando 99% das pessoas, quando elas só podem oferecer 45%, porque né, ninguém é perfeito. Eu não sou perfeita, mas eu sou muito boa nisso (cof) e é nisso que eu me ferro. 

Mas isso é um problema. E me desculpem, mas nesse blog resolvi expor meus defeitos e fraquezas também. Esse blog me serve como terapia, como um "esclarecedor" de sentimentos e pensamentos. E acho que esse é um problema que estou conseguindo superar, porque existem problemas não solucionáveis, mas que a gente supera. Nesse caso superar é a própria solução. Não há nada a se fazer a não ser usar o bonequinho do shrug e ser feliz com novas experiências, novas amizades e não esperar nada, nada de ninguém em troca. Não porque essas pessoas não podem ser grandes amigos, ou verdadeiros, mas porque a vida, naturalmente, desconecta. Talvez para dar espaço a novas conexões. Sem ter que retirar nada dos corações.



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