quinta-feira, dezembro 17, 2015

Hey Hey! Como eu virei fã dos Monkees - ou sentá que lá vem história

Monkees melhor que Molejo que é melhor que Beatles
Eu tinha 13 anos e até então nenhum contato com o rock. Minha vida era ouvir a Tribuna Fm com Ivete Sangalo, Laura Pausini, Sampa Crew (!). Na época eu também assistia Chiquititas, TV CRUJ e o que tinha no horário das 19 horas. Eu estava no quarto, controle remoto na mão, mudando de canal como toda noite àquele horário (sim, eu me lembro exatamente como foi, porque realmente reservei esse momento como inesquecível) enquanto era comercial de um desses programas infanto-juvenis e parei na TVE. Tinha um rapaz de cara engraçada falando engraçado em cima de um palco e eu fiquei só observando. Junto com ele tinha mais três caras fazendo palhaçada - dá pra notar pela qualidade da película que aquilo era uma série antiga, tipo anos 60 mesmo, e mesmo assim segui assistindo. Enquanto três faziam graça no palco, um loirinho ficava se escondendo na plateia. Eu achando aquilo extremamente curioso e mais interessante que Chiquititas. No final do programa eles cantavam uma canção com guitarra, bateria, baixo e pandeiro - é tinha um pandeiro - e meus olhos brilharam.

No dia seguinte eu coloquei na TVE no mesmo horário. Aquele ritual se cumpriu por dias, semanas, meses. Eu já estava viciada naquele quarteto. Tinha vezes que o programa atrasava. O que antecedia era uma programa de adolescente feito no Rio de Janeiro estilo Altas Horas, em que eu já tinha ódio do rapaz, coitado. Bonitinho, até. Mas ele enrolava pra terminar aquele maldito programa, enquanto eu só queria uma coisa, que era ouvir essa musiquinha:


Quando apareciam na telinha Micky e seus amigos eu ficava meio deslumbrada. Era uma historinha mais ou menos com alguns “videoclipes” da banda ao longo do episódio - era certamente o que eu mais gostava. A mágica que acontece quando alguém vira fã incondicional de alguma coisa é meio indescritível. Eu ainda me sentia criança e ainda via fantasia nas coisas. Meu olhar naquela época é diferente do de hoje, claro. Tanto que quando eu ouço a música de abertura do seriado não é mais como antigamente. Mas lá no fundo ainda resta alguma magia.

E foi assim que eu me apaixonei pelos Monkees. Mas foi daquelas paixões dilacerantes. Micky, Davy, Pete e Mike, os cavaleiros de 1999 que fizeram eu me interessar pelo rock. Troquei a TribunaFm pela 98 Fm e conheci Oasis. A partir deles comecei a escutar (e amar) Sugar Ray, Red Hot Chilli Peppers, Chris Cornell, Pearl Jam, Silverchair e afins.

Micky Dolenz: meu monkee favorito <3
Mas vamos continuar com a fantasia. Haviam três músicas que eu ouvia dessas bandas e associava imediatamente a algum monkee: “Can’t Change Me” com a voz grave do Cornell e eu remetia imediatamente ao Michael Nesmith cantando. E “Scar Tissue”, com a voz dopada do Kiedis era como se Micky Dolenz estivesse dublando, na certa.

Mas a música que eu mais escutava e imaginava (ah essa imaginação juvenil) um clipe dos Monkees era “Then The Morning Comes” do Smash Mouth. Era ouvir Smash Mouth que eu parecia estar ouvindo Monkees automaticamente. Embora sonoramente não tenha nada a ver. Não sei se era o ritmo da música, mas tudo se encaixava perfeitamente com um vídeo dos caras. As correrias, as palhaçadas, as caretas, tudo.


Se a minha imaginação era tão fértil quanto visionária, não sei. Só sei que pouco tempo depois disso aconteceu uma coincidência que recordo até hoje.

Smash Mouth tinha um hit novo tocando nas rádios e o nome da música não me era estranho… I’m A Believer. Eu não tinha me tocado ainda, mas havia uma pulga atrás da orelha… fui pesquisar. Bingo! Smash Mouth tinha acabado de regravar, coincidentemente, uma música do Monkees. A música-tema do filme Shrek, sucesso até hoje.

Clipe tosquinho sim, mas eu amo!

Era engraçado, porque, meu primeiro contato com Monkees e rock foi na mesma época que o meu contato com a internet. E o que havia na internet não era muita coisa. Minhas primeiras pesquisas eram no Alta Vista e no Cadê, dentre os primeiros termos, obviamente, estavam os Monkees.

Clipe tosquinho 2, vamos combinar!

O único resultado que vinha era uns dois, no máximo três sites gringos - o oficial dos Monkees e mais dois fãs-clubes. Sem muitas fotos, mas algumas informações e letras de música. Hoje além de grupos, wallpapers, avatares e fotos pessoais e exclusivas, ainda posso ouvir a trilha sonora completa no Spotify - e falar com os integrantes da banda pelo Twitter e Facebook.

Vocês sabem o que significa isso? Meu maior sonho aos 14 anos era ir pra Los Angeles (pensava que eles viviam lá) e conhecer cada um dos integrantes pessoalmente. Hoje eu posso bater um papo daqui mesmo, se eu insistir um pouco.

Por mais que eu queira resumir (e isso já é um resumo) fica meio impossível. Minha admiração pelos Monkees perdurou por anos, atravessou a minha adolescência e tem um lugar cativo no meu coração até hoje.

Mais palhaços que eles não têm
Era tão monkeemaníaca (assim que somos conhecidos) a ponto de liderar grupo do Yahoo e fuçar qualquer sitezinho escondido da web que tinha alguma referência-monkee que eu desconhecia. Baixei todas as músicas, demos e outras que ninguém conhecia, defendia meus queridos de todas as críticas sobre eles serem uma cópia montada dos Beatles que não tocavam os instrumentos - e daí? Eram melhores que muitas bandas “originais” e acirrava nas discussões, sem descanso. Era apaixonada pela discografia inteira e ignorava os grandes hits como Last Train In Clarksville ou Daydream Believer (que o Bono Vox já regravou) pra ouvir She, Words, Can You Dig It, All Of Your Toys, P.O.Box 9847, Shorty Blackwell, Don't Call On Me, Forget That Girl, For Pete's Sake e tantas dezenas de outras...
Randy Scouse Git: um dos meus clipes favoritos! Micky na percussão de poncho <3

Fiz incríveis amigos e conheci Rosinha Monkees - a brasileira mais sortuda do mundo Monkeeamaníaco, que era amiga íntima de Peter Tork - o loirinho, já foi em vários shows e tirou fotos com todos. Graças a ela consegui um autógrafo do Peter Tork que é meu maior tesouro, mesmo que não tenha ido no show dele em São Paulo - eu não sabia desse show até ler por acaso uma notinha na revista da Folha (que existia naquela época) de que eles esteve num bar apresentando um pocket show para poucos.

Qualquer nota que saía na mídia meu sangue fervia. Não preciso nem dizer minha reação ao ouvir uma música deles tocando na rádio, no bar ou na balada...

Dentro dessa história de monkeemaníaca tive muitas surpresas além de I’m A Believer cover e ouvir Valeri na balada (Mythos) ou saber de Pete em Sampa, entre elas assistir o The Hollywood Reporter do canal E! na noite de Natal com a biografia deles (eu sempre esperei por esse episódio sem saber que existia), ver o clipe de Incubus inspirado no filme Head, ouvir a versão de I’m A Believer em português na voz do Lulu Santos, ouvir Porpoise Song em Vanilla Sky ou Going Down em Breaking Bad, ver a dancinha plagiada do Davy pelo Axel Rose e várias outras referências e citações aos Monkees em filmes e programas que apareciam cada vez mais - hoje eu nem me lembro mais, mas na época sempre anotava numa listinha e comentava com os outros fãs. Pude perceber que eles foram esquecidos, muitas vezes quando lembrados eram ridicularizados, mas com o passar do tempo eu só notava o quanto haviam semelhanças e referências em outras bandas e como agora estavam sendo mais reconhecidos e valorizados dentro do trabalho extenso e impecável que tinham.

"There's so much to do in the sunlight"

Fiquei muito, muito triste e arrasada quando soube da morte de David Jones no início de 2012. Eu ainda tinha lá no fundo aquele desejo de conhecer os quatro ou de repente ver um novo tour da banda com todos os integrantes juntos (e esse era um projeto que existia).

Old Monkees
Enfim, foram anos incríveis de muita imaginação, risadas, danças, amizades virtuais, histórias engraçadas e, claro, muita música. Como a maioria dos adolescentes também gostava de muita coisa da minha geração - Spice Girls, Backstreet Boys -, mas por incrível que pareça era a banda dos anos 60, em que os quatro caras já eram senhores e tinham cada um seguido a sua vida, sem novos álbums e novos shows, a minha fixação da época. Cada música tocada fora do contexto já era uma emoção. Lembro dos lugares onde eu morava, da minha família, da alegria quando consegui baixar a trilogia de Missing Links - onde estão as melhores músicas da banda, dos sequilhos que eu não parava de comer, de onde estudava, é, eu sempre fui uma nostálgica. Não tinha como não amar The Monkees. E não tem como não seguir amando!

That's all, folks!

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