sábado, março 08, 2014

Transporte


Eu andava naquelas ruas vazias, pouco movimentadas, nubladas, com aquela aparência pacata de interior. No entanto a avenida e seu asfalto, os carros, os prédios de três, cinco andares indicavam que não. Eu olhava para os corredores inabitados daqueles prédios e me questionava onde a faísca da alegre vida podia se encontrar. A perspectiva dizia restar só uma balada melancólica daquelas que toca nas rádios populares de vez em quando.

Onde estavam seus moradores? Assistindo ao programa de tv vespertino, cuidando da casa, confinados num quarto, indo ao médico, supermercado, trabalhando, visitando algum parente doente, dormindo, esperando alguém chegar? Esperando a vida passar?

Eu me vi naquela menina de uns treze anos saindo de um prédio com a mãe e a avó. Eu observei a menina ruiva de expressão doce e tranquila com a senhora carrancuda indo para algum lugar. O casal de senhores com expressão preocupada no ponto de ônibus.

Enquanto andava, eu assistia aquela tarde como se não estivesse lá. Sim, eu estava realmente longe, não sei onde exatamente. Mas eu observava aquele momento que não haveria mais igual. Despedia-me dele indo ao encontro de outros. Esperando mais essa fase passar.

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