quarta-feira, junho 01, 2016

Eu ainda não falei de Seal


Depois de falar de tantos artistas da música que admiro, canções e clipes que eu curto, a lista realmente é extensa, mas esse cantor, quem me conhece sabe que não pode ficar de fora do Mercuriosidade.

A verdade é que eu adiei muito esse momento, mas sabia que ele ia acontecer. Aproveitei o embalo de reler o blog, pra escrever sobre o cantor mais incrível dos últimos tempos, o inglês Seal. Minha paixão pelo seu trabalho nasceu no final da infância, ouvindo um CD que a minha querida tia tinha dele. Era o seu segundo lançamento, e eu simplesmente fiz dele a minha casa. Ouvia toda hora, conhecia todas as letras, enfim, é um caso de amor eterno.



Nesse álbum todas as músicas me eram perfeitas, mas Don't Cry era (e ainda é) meu grande hino. Ao ouvir o terceiro álbum na internet, com músicas ainda mais fodonas (com o perdão da palavra), eu realmente senti que ele era o melhor cantor do mundo.

My feelings hurt, but you know I overcome the pain (aumente o volume)

O método de compreender tal sentença era simples. Ouvir o som cru saindo do próprio violão. Reverberava então uma voz rouca, seca e firme. Toda a firmeza de um voz intensa e vibrante que calava o silêncio com transcendência. Ouvir Don't Cry me fazia transportar montanhas, no caso, meu próprio mundo. Nem preciso dizer que é a favorita, né?

Foram várias emoções-canções - uma atrás da outra. Podia citar a história de cada uma delas. Os grandes hits, injustamente, são Kiss From A Rose e Crazy. Crazy tem seu valor, principalmente as versões ao vivo. Mas é simplesmente impossível ignorar outras grandiosas, como Prayer For The Dying, Bring It On, Future Love Paradise, I´m Alive, When A Man Is Wrong e tantas, tantas outras.

Trilha sonora de uma vida. Quando chegou sua fase Soul, não teve como não se emocionar com a regravação de Stand By Me. Parecia ter sido feita pra ele cantar um dia. Ele cumpriu bem seu papel. Retomou a carreira depois de uma boa pausa (pra minha felicidade) e trouxe mais preciosidades pro meu mundo. Hoje já está no volume 7, e a admiração só aumenta.



Os shows

Bem, esse assunto merecia um capítulo à parte. Em 2008 eu estava no curso pra tirar a carteira de motorista. Alguns detalhes da vida a gente sempre lembra. Eu havia acabado de baixar uma música "lado B" (ausente da lista de músicas oficiais presentes nos álbuns do Seal) chamada "Everything Will Be Alright". Eu vivia lá minhas experiências, algumas começavam a se tornar mais difíceis. Essa música me acompanhava no ônibus a caminho do curso, no começo do ano. Poucas semanas depois, não sei ao certo, estaria ouvindo seu interlocutor ao vivo em São Paulo. O melhor cantor do mundo tinha anunciado um show em São Paulo e eu estaria lá. Uma época em que eu mal sabia o que era estar em São Paulo.

HSBC Brasil. Um show em parceria com a revista Caras, esta que trouxe inúmeros convidados que desconheciam todas as suas músicas. Fui com um grande amigo fã de Seal (grande Chico!) e ficamos sentados, longes do palco, cantando, um pouco frustrados, todas as suas músicas, enquanto o restante da plateia permanecia em silêncio.

Apesar disso, deu pra notar que ele era mais do que o melhor cantor do mundo. Era um ótimo performista no palco. Além da notável presença, ele estimulava a plateia a cantar, dançar, o que sempre faz um grande artista, e que ele executava com maestria.


2011. Felizmente o mundo às vezes comete algumas justiças. E esse ano não poderia ser mais emblemático da forma que foi. Seal voltaria, dessa vez no Credicard Hall. Eu e Chico já estávamos novamente preparados. Minha tia e madrinha, que sempre fôra a responsável pela minha admiração pelo cantor, também estava animada pra ir com meu tio. Mas estava dodói. Eu aproveitei o embalo do Twitter, essa maravilhosa rede social que eu entrei bem cedo e tive a oportunidade de ter o Seal como seguidor. Mandei uma mensagem. Meu sonho era conhecê-lo pessoalmente, contei minha história de fã e dediquei essa história à minha tia, contando a ele que ela estava doente mas adoraria conhecê-lo também. Ele me respondeu. Disse que eu poderia procurar alguém dos bastidores após o show pra encontrá-lo no camarim.

Aquela noite não poderia ser mais especial. Fomos todos ao show, mas fiquei separada dos meus tios, que ficaram na arquibancada superior. Dessa vez eu e Chico não erraríamos. Ao lado do palco, cantando, berrando, gritando, dançando todas as músicas. Cantando junto com ele. Seal se ajoelhou um pouco, pegou na mão do Chico e eles cantaram juntos, ao vivo. Eu, maravilhada, assistindo aquilo de perto.  Cantei “Crazy” numa versão como nenhuma outra ouvi igual. Olhei pra plateia. Estava começando a passar mal. Era o clímax.


A dupla doida que não parava de levantar os braços, sim, era a gente

Depois de beber muita água com gelo, me recuperei e voltei a dançar freneticamente nas músicas finais. Quando o show terminou, era a hora. Encontrei o rapaz que me levaria ao camarim, que foi confirmar a informação. Voltou dizendo que somente eu e minha tia poderíamos entrar.

Ao chegar no camarim, Marimoon, Luciana Mello, entre outros convidados vips aguardavam. Chegou a nossa vez. Como ele era alto. Pronunciei algumas palavras que acreditava ser em inglês e ele me respondeu. Atencioso, conversou comigo e com minha tia numa educação, gentileza e amabilidade inacreditáveis. Chorei. Eu sabia que aquele não era apenas um momento especial. Era o prenúncio de outro acontecimento marcante na minha vida - mas não muito feliz. Uma breve e bonita despedida.


Este momento vai sempre estar presente numa das principais memórias da minha vida

Essa foi uma noite não menos que emocionante, e que sempre vai ficar registrado em minha memória. Ano passado, 2016 ainda tive o privilégio de vê-lo cantar no Rock In Rio - em uma plateia não lá muito entusiasmada, mas eu frenética, como sempre. E com outra grande amiga, Fagna.

Seal é minha trilha sonora pra tanta coisa. Nunca foi pra pensar em namoradinho, haha. Só pra viajar. Viajar pelas estradas que eu nunca percorri (só no videogame), pra acreditar em novos projetos, acreditar em mim especialmente, lembrar das pessoas mais importantes da minha vida, e pra enlouquecer um pouquinho - porque não dá pra sobreviver nesse mundo sem um pouco de locura né :p Ouvir Seal sempre foi uma ótima terapia. Ouvir Seal é libertador. É loucura e amor. #lovesdivine

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