quarta-feira, março 29, 2017

Sobre pertencer

Antes de não querer ver, eu não enxergava. Eu estava completamente fora de razão, sem perceber. E quando me mostraram, eu não quis ver. E eu sei o momento que eu reneguei. Eu andava pela rua da praça, entrei no restaurante, pedi lomo e batata frita. A mulher mais velha me olhava. Eu saí, voltei a caminhar no frio, naquela cidade à qual eu acreditava não pertencer. Mas eu não enxergava que não era questão de pertencimento. Não era culpa da cidade. O problema estava dentro de mim. No meu estômago, que não aceitava aquela comida. Porque a falta de fome era oriunda da tristeza. E a minha tristeza não era oriunda daquele lugar. Não era oriunda do destino. Era oriunda da minha falta de percepção. Da falta de pertencimento a mim mesma. Quando eu aceitei ver, a angústia se foi e o alívio tomou conta do meu ser. Graças ao entendimento.

A vida me mostrou, com felicidade, que até mesmo quando a gente chega no fim da linha,
Ela pode te revirar do avesso e te surpreender.
Ela dá o tanto quanto ela tira
Só pra te fazer ver
Que você realmente não precisa de nada

Eu senti a desolação em Buenos Aires.
Eu senti a desolação em Santos.
Eu senti a desolação em São Paulo.
Eu senti a desolação em Barcelona.
Eu senti a desolação no Rio de Janeiro.

Eu senti o vazio nas grandes metrópoles.
E não vai ser o fato de mudar de cidade que ela vai desaparecer. Já vi os fatos.
O ambiente externo não pode modificar nada quando o problema é de fator interno.
E descobrir isso é o primeiro passo.


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